Quando insistimos em amar alguém que não nos ama, com a intensidade com que amamos. A expectativa de sentir que a pessoa se doe como nos doamos a ela é muito presente! Parece que quanto mais nos doamos, mais esperamos. É então que re-significamos o conceito de amor.
A máxima de que o amor é gratuito, de que se deve dar sem nada esperar é uma lógica, racional, teórica, que deve ser contextual. Quando se envolve emoções e sentimentos é espontâneo se viver na expectativa por recíproca, por troca de afeto, de manifestação. Ternura, atenção, gratidão e gratuidade são sempre bem vindos.
Amar com intensidade e se chegar à conclusão de que o outro se acostumou ou até mesmo se cansou de ser amado é uma realidade impactante que promove mudanças.
Tais mudanças são didáticas e ainda que promovam perdas e dores vêm acompanhadas de metamorfose. Metamorfosear-se, que sabedoria!
Por que manter-se preso à armadilha das emoções quando é salutar uma retirada? E apegar-se a argumentos infindos por não se ter força de fazer a passagem? Por vezes, acostumar-se a acolher as migalhas no relacionamento e ainda, ficar-se contente, pois quando não se está pronto, permanece a certeza de que o pior seria a ausência total.
Na verdade estar-se presos por um fio de esperança, pela espera da colheita do que já foi(ou não) um dia semeado, que cresceu(talvez) e até pode ter dado frutos, mas que agora, se tornou estéril.
A esterilidade na relação chega quando a recíproca, ou mesmo, o sentimento de bem-querer, deixam de estar presentes: se não amo, não me importa a dedicação do outro, e tampouco se tenho generosidade em correspondê-la.
Excesso de confiança ou de insistência podem favorecer erros de significados: da parte de quem está seguro, pensa-se que a pessoa estará sempre presente, e de quem habituou-se a doar-se, insiste-se em uma relação sem respostas porque não se pode imaginar sem ela.
Símbolos e laços se quebram. Relações se constroem e reconstroem. Nessa dinamicidade surgem conquistas e perdas. Lamenta-se ou passa-se a revalorar o que se foi, às vezes, muito tarde!
E para quem se permite mudar, o tempo, esse anestésico que cura e reconduz no caminho é um amigo fiel. Ao lado da sabedoria, percepciona que existem outras estradas, admite que a paciência é necessária e aos poucos, mas no momento certo, afirma que é tempo de partir.
Corporeidades e vivências afetivas como expressões sacro-humanas reinventam, recriam e fazem crer que amar é possível.
Conquanto, deve-se insistir que amar gratuitamente, no plano fraterno, é urgente! Mas amar reciprocamente é condição para amantes e amigos.
São Luís-MA, 28/08/09
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